Livro da Sabedoria (Sb) - Capítulo 18
2Também lhes agradeciam porque, tendo sido antes prejudicados, não se desforravam; e pediam perdão porque, anteriormente, os haviam oprimido.
3Assim, providenciaste uma coluna ardente de fogo como guia para o caminho desconhecido, e um sol inofensivo para a sua gloriosa peregrinação.
4Aqueles, de fato, mereciam estar privados de luz e sofrer o cárcere das trevas, por terem mantido presos teus filhos, pelos quais começava a ser dada ao mundo a luz incorruptível da Lei.
5A MORTE DOS PRIMOGÊNITOS E A LIBERTAÇÃO
Quando intentaram matar os filhinhos dos justos ? um dentre eles tendo sido libertado, depois de exposto ? em compensação por eles, arrebataste uma multidão de filhos e os destruíste juntos na água impetuosa.
6Aquela noite fora antes conhecida por nossos pais a fim de que, sabedores dos juramentos em que tinham crido, se mostrassem mais confiantes.
7Ela foi acolhida pelo teu povo como salvação dos justos, mas também como extermínio dos injustos:
8assim como puniste os adversários, assim também nos engrandeceste, chamando-nos a ti.
9Em segredo, os filhos justos dos bons ofereciam sacrifícios e, de comum acordo, estabeleceram esta lei divina: que os santos haveriam de acolher da mesma forma bens e perigos, já antecipadamente entoando os hinos de seus pais.
10Entretanto, ressoava o clamor dissonante dos inimigos, e se difundia o som lamentoso dos que choravam seus filhinhos.
11Com o mesmo castigo foi atingido o servo e o senhor, o homem do povo sofrendo de modo semelhante ao rei:
12da mesma forma todos, com o mesmo tipo de morte, contavam mortos inumeráveis. Já não bastavam os vivos para sepultá-los, porque a um só momento fora exterminada a parte melhor da sua geração.
13E eles, que descriam de tudo por causa dos seus malefícios, agora, na matança dos seus primogênitos, deviam confessar que esse povo é filho de Deus!
14De fato, quando um tranqüilo silêncio envolvia todas as coisas e a noite chegava ao meio do seu curso,
15a tua Palavra todo-poderosa, vinda do céu, do seu trono real, precipitou-se, como guerreiro impiedoso, ao meio de uma terra condenada ao extermínio. Levando o teu decreto irrevogável como espada afiada,
16erguendo-se, encheu tudo de morte e, tocando o céu, andava sobre a terra.
17Então, de repente, a visão de sonhos terríveis os perturbou e lhes sobrevieram inesperados temores,
18enquanto, arrojados para um lado e para o outro, semimortos, patenteavam a causa da morte de que morriam.
19Pois as visões que os perturbavam advertiam-nos antecipadamente, para que não perecessem ignorando a causa dos males que sofriam.
20A INTERVENÇÃO DE AARÃO
É verdade que também aos justos feriu uma provação mortal e aconteceu no deserto a morte de uma multidão, mas a tua ira não perdurou por muito tempo.
21Pois um homem irrepreensível apressou-se em lutar por eles sobraçando o escudo do seu ministério: a oração e a propiciação pelo incenso. Ele resistiu à Ira e pôs fim à fatalidade, demonstrando que era teu servo.
22E assim venceu a Ira, não pela força corporal nem pelo poder da armadura, mas pela Palavra submeteu o Castigador, recordando os juramentos e as alianças dos antepassados.
23Como já em multidão caíssem, mortos, uns sobre os outros, ele interveio e sustou a arremetida da Ira, barrando-lhe o caminho que levava aos que ainda viviam.
24Na sua veste sacerdotal estava representado todo o orbe terrestre, as façanhas dos patriarcas, no entalhe das quatro ordens de pedras, e a tua Majestade, no diadema da sua cabeça.
25Diante dessas coisas, o Exterminador parou e delas teve medo; a simples amostra da tua Ira já era suficiente.