Livro da Sabedoria (Sb) - Capítulo 4
2Quando ela está presente, imitam-na; quando se retira, desejam-na; coroada para sempre, triunfa, ganhando o prêmio dos combates sem mancha.
3A descendência numerosa dos ímpios, porém, será inútil: pois, com mudas bastardas, não lançará raízes profundas nem firmará uma base sólida.
4Porquanto, se com o tempo brotar em ramos, como não tem firmeza, será abalada pelo vento e pela violência do vendaval será arrancada.
5Serão quebrados seus ramos sem desenvolver-se e seu fruto será inútil, verde demais para ser comido, não servindo para nada.
6Pois os filhos que nascem de sonos culpados serão, no dia do julgamento, testemunhas da perversidade dos próprios pais.
7VIDA LONGA NÃO SIGNIFICA NADA
O justo, porém, ainda que morra prematuramente, encontrará descanso.
8A velhice venerável não é a de uma longa duração e nem se mede pelo número de anos;
9o bom senso equivale aos cabelos brancos, uma vida sem mancha, à idade avançada.
10Agradando a Deus, o justo é amado por ele; vivendo entre pecadores, Deus o transferiu para outro lugar.
11Foi arrebatado para que a malícia não lhe pervertesse a inteligência, nem o engano seduzisse sua alma.
12Pois o fascínio da frivolidade obscurece os valores verdadeiros, e a inconstância das paixões transtorna a mente sem malícia.
13Tendo alcançado em pouco tempo a perfeição, completou uma longa carreira:
14sua alma era agradável ao Senhor, que por isso apressou-se em tirá-lo do meio da maldade. As pessoas vêem isso e não compreendem, e não refletem, em seu coração,
15que a graça e a misericórdia são para os eleitos do Senhor, e que ele intervém em favor dos seus santos.
16Mas o justo, morto, condena os ímpios vivos; e a juventude, cedo terminada, a prolongada velhice do injusto.
17Eles verão o fim do sábio e não compreenderão o desígnio de Deus sobre ele, nem por que o Senhor o pôs em segurança.
18Verão e expressarão o seu desprezo, mas o Senhor se rirá deles.
19Pois eles se tornarão, depois disto, cadáveres sem honra, objeto de opróbrio para sempre entre os mortos; o Senhor os precipitará de cabeça para baixo, sem que emitam um gemido, e os sacudirá de seus fundamentos. Serão arrancados até o último, sofrerão dor lancinante, e sua memória perecerá.
20Comparecerão medrosos, quando prestarem conta de seus pecados, mas suas próprias iniqüidades se levantarão contra eles, para acusá-los.